O cliente vê dez por cento. Com margem de contribuição de 32%, você perde quase um terço do que sobrava — e precisa vender 45,5% a mais só para terminar o mês no mesmo lugar.
Essa é a frase que resume o artigo, e vale reler devagar. Quando você tira 10% do preço, não está abrindo mão de 10% do seu ganho: está abrindo mão de 10 pontos inteiros da sua margem — e a margem, quase sempre, é bem menor que o preço.
Desconto e margem não estão na mesma régua, e é essa confusão que custa dinheiro. Tirar dez centímetros de uma corda de trinta não é tirar dez por cento: é tirar um terço. O cliente mede o desconto pelo preço; você paga com a margem, que é uma corda bem mais curta.
Se de cada R$ 100 vendidos sobram R$ 32 depois do imposto, do custo do produto e da comissão, um desconto de R$ 10 leva quase um terço do que sobrava. O cliente vê 10%. Você perde 31%.
Como o desconto sai da margem, para terminar o mês com o mesmo dinheiro é preciso vender mais. Quanto mais? A conta é curta:
Aumento necessário no volume = desconto ÷ (margem − desconto)
Com margem de 32% e desconto de 10%: 10 ÷ (32 − 10) = 10 ÷ 22 = 45,5%. Ou seja, para compensar um desconto de dez por cento, é preciso vender quase metade a mais. Não 10% a mais — quase 46%.
É por isso que campanha de desconto raramente entrega o resultado prometido. O faturamento sobe, o movimento sobe, todo mundo trabalha mais, e o dinheiro no fim do mês é o mesmo ou menor.
O que sobra de cada venda depois de imposto, custo do produto e comissão.
O desconto sobre o preço de venda.
Com margem de contribuição de 32,0%, dar 10,0% de desconto exige vender 45,5% a mais em volume só para terminar o mês com o mesmo dinheiro de antes. Abaixo disso, o desconto sai do seu bolso.
Se você não sabe a sua margem de contribuição de cabeça, ela sai do último balancete — e é a mesma conta que aparece no artigo sobre formação de preço.
O efeito depende muito da margem de quem dá o desconto — e quanto menor a margem, mais violento ele é. Veja quanto a mais é preciso vender em cada combinação:
A última linha não é força de expressão. Quando o desconto iguala a margem, cada venda passa a ter contribuição zero: o preço cobre exatamente o custo variável e não sobra nada para o aluguel. Vender mais, nesse caso, apenas dá mais trabalho pelo mesmo prejuízo. E se o desconto passar da margem, cada venda nova aumenta a perda.
O desconto é a concessão mais cara que existe, porque sai direto do resultado e não deixa nada em troca. Quase sempre há alternativa que custa menos e resolve a mesma objeção:
Há três situações em que ele é a decisão certa, e todas têm em comum o fato de o custo fixo já estar coberto.
Capacidade ociosa. Se a empresa já passou do ponto de equilíbrio no mês e tem capacidade sobrando — cadeira vazia no salão, hora livre na oficina, mesa livre no restaurante —, qualquer venda com margem de contribuição positiva melhora o resultado, mesmo com desconto. O que não pode é essa venda canibalizar a venda de preço cheio.
Estoque parado. Mercadoria encalhada já custou o dinheiro que custou. Vendê-la com desconto recupera caixa e libera espaço; mantê-la na prateleira não recupera nada e ainda ocupa capital de giro.
Primeira compra de um cliente recorrente. Aqui o desconto é investimento em aquisição, e a conta correta é comparar o desconto com o que aquele cliente deixa ao longo do relacionamento — não com a margem da primeira venda. Só vale se houver recorrência de verdade, medida, e não presumida.
O “desconto no cartão” costuma ser dois descontos empilhados. Se você já paga taxa de maquininha e ainda oferece abatimento para pagamento à vista, a margem leva as duas mordidas. Antes de anunciar, calcule a margem líquida da forma de pagamento — ela é diferente por bandeira, por parcelamento e por prazo de recebimento.
A mesma fórmula responde uma pergunta que quase ninguém faz: quanto volume posso perder se aumentar o preço? Com margem de 32%, um aumento de 10% permite vender 23,8% a menos e terminar no mesmo lugar.
Dito assim, muda a conversa sobre reajuste. Não se trata de perder ou não perder cliente; trata-se de saber quantos você pode perder antes de o aumento deixar de valer a pena. Na maioria dos pequenos negócios, esse número é bem maior do que o medo sugere.
Tudo acima depende de um único dado: a margem de contribuição real. E ela não fica parada — cai quando o fornecedor reajusta, cai quando o mix de vendas muda e cai sozinha quando a alíquota efetiva do Simples sobe junto com o faturamento dos últimos doze meses.
Quem decide o desconto de setembro com a margem de janeiro está calculando com um número que já não existe. E o erro anda sempre para o mesmo lado: a margem real costuma ser menor que a lembrada, o que significa que o desconto machuca mais do que a conta previu.
Esse é o tipo de acompanhamento que o módulo Gestor Financeiro faz dentro do Portal do Cliente: ele recalcula margem, custo e alíquota efetiva a cada competência fechada e avisa quando algum deles sai da curva. Assim, quando a conversa de desconto aparecer, o número que você vai usar é o de agora — e não o do começo do ano. A decisão continua sendo tomada junto com a equipe da GRL Accountability, que revisa as análises do mês.
A fórmula apresentada é a relação clássica entre desconto e volume em análise de custo-volume-lucro, aplicada sobre a margem de contribuição. Os percentuais são ilustrativos e o resultado depende da margem real de cada negócio; a alíquota efetiva do Simples Nacional depende da receita bruta dos últimos 12 meses e do anexo da atividade. Fale com a GRL Accountability para levantar a sua margem a partir do balancete.
A GRL Accountability levanta a sua margem de contribuição real a partir do balancete e mostra o limite de desconto de cada produto ou serviço.