Simples, Presumido ou Real: quando a loja online deve trocar de regime
Para a maior parte das lojas que começam, o Simples Nacional é a resposta certa e nem precisa de simulação. O problema é que essa resposta é tratada como definitiva. Uma loja online muda de patamar em dois ou três anos, e as variáveis que decidem o regime — margem, folha, composição das compras e peso do imposto na cadeia — mudam junto. A pergunta certa não é "qual é o melhor regime", e sim "faz quanto tempo que ninguém refaz essa conta aqui?".

GRL Accountability- No Simples Nacional, o comércio paga entre 4% e cerca de 11% de alíquota efetiva, com tudo dentro do DAS, inclusive o ICMS e a contribuição previdenciária patronal.
- No Lucro Presumido, os tributos federais do comércio somam 5,93% da receita, mais o adicional de IRPJ, e por fora ficam o ICMS apurado por débito e crédito e a folha com 20% de CPP.
- No Lucro Real, o imposto incide sobre o lucro efetivo e há crédito de PIS e Cofins na compra — o que muda tudo para quem tem margem apertada e volume alto.
- Margem baixa, muita mercadoria importada, forte peso de marketplace e faturamento perto do teto são os quatro sinais de que a comparação precisa ser refeita.
Simples Nacional: tudo dentro do DAS
No Anexo I, a alíquota efetiva vai de 4% na primeira faixa a pouco mais de 11% no teto de R$ 4,8 milhões, e o pagamento único abrange IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, Contribuição Previdenciária Patronal e ICMS. É essa última parte que costuma decidir: a CPP dentro do DAS significa que a loja não paga os 20% patronais sobre a folha, o que é uma economia relevante para quem tem equipe.
Em troca, o regime não gera crédito. A loja não credita o ICMS das compras, não credita PIS e Cofins, e não pode deduzir despesa nenhuma da base — nem a comissão do marketplace, nem o frete, nem a publicidade. Para operação com margem gorda e poucas despesas, isso é irrelevante. Para operação de margem fina e muita despesa, é o que muda o resultado.
Lucro Presumido: percentual fixo sobre a receita
No Lucro Presumido, o comércio presume um lucro de 8% da receita bruta para o IRPJ e de 12% para a CSLL, e aplica as alíquotas sobre essa base presumida. A conta federal, na prática, fica assim: IRPJ de 1,2% da receita, CSLL de 1,08%, PIS de 0,65% e Cofins de 3% — total de 5,93%, mais o adicional de 10% de IRPJ sobre a parcela do lucro presumido que exceder R$ 60.000 por trimestre.
Só que esse não é o custo total. Por fora ficam: o ICMS, apurado pelo regime normal de débito e crédito, com a alíquota interna do estado sobre a saída e crédito sobre as entradas; a folha, com 20% de contribuição patronal, terceiros e RAT; e o DIFAL nas vendas interestaduais a consumidor final, do qual o Simples está dispensado. Somando tudo, o Presumido raramente ganha do Simples em comércio varejista — a exceção é a empresa com folha muito pequena e boa margem de crédito de ICMS.
Lucro Real: imposto sobre o lucro que existiu
No Lucro Real, IRPJ e CSLL incidem sobre o lucro contábil ajustado, e PIS e Cofins são não cumulativos, com alíquotas maiores — 1,65% e 7,6% — porém com crédito sobre as compras e sobre vários custos: mercadoria adquirida para revenda, energia elétrica, aluguel de pessoa jurídica, frete na operação de venda e serviços tomados de pessoa jurídica utilizados como insumo.
Para um e-commerce, esses créditos são maiores do que parecem. A comissão do marketplace, o frete, a armazenagem e a tarifa de meio de pagamento são serviços prestados por pessoas jurídicas. Em uma loja em que essas despesas somam 30% ou 40% da receita, o crédito de PIS e Cofins deixa de ser detalhe. Somado a isso, quem tem prejuízo ou margem muito baixa simplesmente não paga IRPJ nem CSLL — o que nenhum dos outros dois regimes permite.
O Lucro Real exige escrituração contábil completa e sem atalhos, ECD, ECF, EFD-Contribuições, EFD ICMS/IPI e apuração mensal ou trimestral. O custo de contabilidade sobe de forma significativa, e o custo de errar sobe junto. Só faz sentido quando a economia tributária cobre com folga essa estrutura — e ela precisa ser calculada, não estimada. Uma loja que economizaria R$ 40 mil por ano em imposto e gastaria R$ 30 mil a mais em estrutura e controles está discutindo pouco dinheiro para muito risco.
Os quatro sinais de que a conta precisa ser refeita
- ✓ Margem líquida abaixo de 8%. Quando o lucro é pequeno, pagar imposto sobre a receita, como fazem Simples e Presumido, custa proporcionalmente muito mais do que pagar sobre o lucro.
- ✓ Mercadoria majoritariamente importada. No Simples, o ICMS e as contribuições pagos na importação viram custo definitivo; no Lucro Real, viram crédito.
- ✓ Mais de 60% da receita vinda de marketplace. É muita despesa com serviço de pessoa jurídica que, no Simples, não abate nada.
- ✓ Faturamento acima de R$ 3 milhões. Além de estar perto do teto federal, a loja se aproxima do sublimite estadual de R$ 3,6 milhões, a partir do qual o ICMS sai do DAS de qualquer maneira.
O calendário da decisão
A opção pelo Simples Nacional se faz em janeiro, com efeito retroativo a 1º de janeiro, e vale para o ano inteiro. A opção entre Lucro Presumido e Lucro Real se manifesta no primeiro recolhimento do ano e também é definitiva para o exercício. Isso significa que a decisão precisa estar tomada em dezembro, com base na projeção do ano seguinte — e não em março, quando os números já começaram a acontecer.
Uma boa simulação usa os doze meses anteriores como ponto de partida, projeta o crescimento esperado, separa a receita por canal e por origem da mercadoria, considera a folha planejada e calcula o resultado em cada regime. Feita uma vez por ano, ela custa pouco e evita o cenário mais comum do setor: uma loja que dobrou de tamanho continuando em um regime que foi escolhido quando ela era metade do que é.
Fontes: Lei Complementar nº 123/2006, arts. 13, 16, 19 e Anexo I; Lei nº 9.249/1995, art. 15, e Lei nº 9.430/1996, quanto ao Lucro Presumido; Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, quanto à não cumulatividade de PIS e Cofins; Decreto nº 9.580/2018 (Regulamento do Imposto de Renda). Texto conferido na fonte oficial em 8 de setembro de 2026. Os percentuais citados desconsideram particularidades setoriais e estaduais. Confirme a simulação da sua loja com a GRL Accountability.
Faz mais de um ano que ninguém compara os regimes na sua loja?
A GRL Accountability simula Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real com os números reais da sua operação e mostra o resultado dos doze meses seguintes em cada cenário.