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Faturamento não é lucro: como ler o balancete da sua empresa em cinco minutos

Quase todo dono sabe de cabeça quanto entrou no mês. Quase nenhum sabe quanto sobrou. A diferença entre os dois números tem um lugar certo — a última linha do balancete —, e sua contabilidade já a calcula todo mês.

63% dos MEIs pagam despesa da empresa com a conta pessoal
54% e 51% o mesmo hábito em microempresas e em pequenas empresas
Última linha onde o resultado do mês aparece no balancete
3 relatórios balancete, DRE e balanço — cada um responde a uma pergunta

Os dois números que não são a mesma coisa

Pergunte a qualquer dono quanto a empresa faturou no mês passado e a resposta vem rápida, quase sem erro. Pergunte quanto ela lucrou e a resposta muda de natureza: vira “foi um mês bom” ou “esse mês apertou”. São dois números diferentes, e só o primeiro costuma estar na cabeça de quem decide.

Pense numa loja com uma porta só. Faturamento é o movimento dessa porta: tudo o que entrou no mês. Lucro é o que ficou na gaveta depois que todos os que tinham de passar já passaram — o fisco, o fornecedor, a equipe, o dono da sala. São dois números tão diferentes que nem estão na mesma unidade de medida, e confundi-los é o começo de quase todo aperto.

Faturamento é tudo que entrou — a receita bruta do período, antes de qualquer subtração. Lucro é o que sobra depois do imposto, do custo do que foi vendido ou prestado, da folha com encargos, das despesas fixas e da retirada dos sócios. Faturar mais e lucrar menos que no mês anterior não é contradição nem sinal de má gestão: é rotina em negócio que cresce sem acompanhar custo.

Do faturamento de R$ 50.000 sobram R$ 1.220 de lucro depois de imposto, custo, folha, despesa fixa e pró-labore FATURAMENTO R$ 50.000 DAS do Simples R$ 5.280 Custo do serviço prestado R$ 12.000 Folha com encargos R$ 18.000 Despesas fixas R$ 9.500 Pró-labore do sócio R$ 4.000 Lucro do mês R$ 1.220

Arraste a figura para o lado para ver tudo.

Prestadora de serviços no Simples, Anexo III, com R$ 600 mil de receita nos últimos 12 meses. Faturou R$ 50.000 no mês e sobrou R$ 1.220 — margem de 2,4%. É o mesmo mês que, na conversa de bar, seria descrito como “faturei cinquenta mil”. Os valores são ilustrativos e servem para mostrar a ordem das subtrações, não para servir de parâmetro do seu negócio.

Por que o segundo número desaparece

A pesquisa do Sebrae sobre hábitos de uso de produtos financeiros nos pequenos negócios mostra por que o lucro some da mesa: 63% dos MEIs pagam despesa da empresa com a conta de pessoa física. Nas microempresas o índice é de 54% e nas pequenas, de 51%. Em mais da metade dos pequenos negócios do país, portanto, o dinheiro da empresa e o dinheiro do dono passam pela mesma conta.

Quando a conta é a mesma, o lucro deixa de existir como número e passa a existir como sensação. E sensação não sustenta decisão. Não dá para saber se cabe uma contratação, se vale comprar à vista com desconto, se o preço praticado cobre o custo real ou se aquele cliente grande dá lucro depois de descontado o tempo da equipe.

Há ainda um efeito que aparece só quando dá problema: a mistura entre o patrimônio da empresa e o do sócio é o que a lei chama de confusão patrimonial. Ela é um dos fundamentos para desconsiderar a personalidade jurídica em uma execução — ou seja, para alcançar os bens pessoais do sócio por dívida da empresa. Separar as contas não é preciosismo contábil; é proteção.

Onde o lucro mora: balancete, DRE e balanço

Sua contabilidade já fecha esse número todo mês. Ele chega em três relatórios, e cada um responde a uma pergunta diferente:

  • Balancete de verificação: a lista de todas as contas com seus saldos no período. É o relatório mais bruto dos três, e é nele que está o resultado do exercício acumulado.
  • DRE (Demonstração do Resultado do Exercício): a mesma informação, organizada em ordem de leitura — receita, deduções, custos, despesas e, na última linha, o resultado. É o relatório que responde “deu lucro?”.
  • Balanço patrimonial: o que a empresa tem e o que ela deve numa data. Responde “a empresa está saudável?”, que é uma pergunta diferente de “o mês foi bom?”.

Se for pedir um só, peça a DRE mensal comparativa — a que mostra os meses lado a lado. O resultado de um mês isolado quase não informa; o que informa é a linha andando ao longo do ano.

Como ler o balancete do mês passado em cinco minutos

1. Confirme o período

No topo do relatório está o intervalo de datas. Balancete acumulado do ano e balancete do mês são coisas diferentes, e é comum receber um achando que é o outro. Se a intenção é avaliar o mês, o período tem que ser o mês.

2. Separe os grupos

As contas vêm agrupadas: ativo (o que a empresa tem), passivo (o que ela deve), patrimônio líquido, receitas e despesas. Para responder “deu lucro?”, só interessam os dois últimos.

3. Vá ao resultado

Some as receitas, some as despesas, subtraia uma da outra. Essa diferença é o resultado do período — e normalmente ela já vem calculada, com o nome de “resultado do exercício” ou “lucro/prejuízo do período”. É a linha que responde à pergunta.

4. Compare com o mês anterior

Um número sozinho não diz se está bom. Dois números lado a lado dizem a direção, que é o que importa para decidir.

5. Ache a conta que mais mudou

Percorra as despesas e encontre a que mais variou em reais — não em percentual. É quase sempre uma só conta que explica a diferença do mês, e é sobre ela que a conversa com o contador precisa acontecer.

E se você nunca recebeu um balancete

Então esse é o primeiro problema a resolver, antes de qualquer discussão sobre imposto, preço ou contratação. A escrituração contábil é obrigação da empresa e trabalho da contabilidade; o relatório existe, ainda que não esteja chegando até você. Peça por escrito o balancete e a DRE dos últimos doze meses e estabeleça uma data fixa de entrega mensal.

Para empresas do Simples Nacional há um motivo adicional, bem concreto: a escrituração contábil regular é o que permite distribuir lucro acima do limite presumido em lei. Sem ela, a isenção fica presa ao percentual de presunção da atividade — e o que passar disso vira rendimento tributável na pessoa física do sócio.

Atenção

Distribuir lucro sem saber qual foi o lucro é o caminho mais curto para um passivo tributário. Se a empresa retirou mais do que apurou, a diferença tende a ser tratada como rendimento tributável do sócio — e isso costuma aparecer em fiscalização, com efeito retroativo. Antes de definir a retirada do mês, o resultado precisa estar fechado.

O que pedir ao seu contador, a partir deste mês

  • Balancete e DRE do mês fechado, sempre até uma data combinada
  • A DRE em formato comparativo, com os meses do ano lado a lado
  • A explicação, em uma frase, da conta que mais variou no período
  • A confirmação de que as despesas pessoais do sócio estão fora do resultado da empresa
  • O valor máximo que pode ser distribuído como lucro isento no mês

Nenhum desses cinco itens é um pedido fora do comum — todos saem do trabalho que já é feito. O que muda é você passar a receber o número em vez de deduzir a sensação.

Ler uma vez é fácil. O problema é ler todo mês.

A rotina acima funciona, e funciona já no primeiro mês. O que costuma quebrar é a repetição. Em março você abre o balancete, entende e decide. Em abril chega outro, e a leitura fica para depois. Em julho ninguém sabe mais se a margem subiu ou caiu desde janeiro, porque a comparação nunca chegou a ser feita.

Há duas razões para isso, e nenhuma é falta de disciplina. A primeira é que o relatório vem em linguagem de contador, e traduzir custa meia hora que o dono não tem — todo mês, para sempre. A segunda é que o número sozinho não resolve: para agir é preciso saber qual conta se moveu e se aquele movimento é normal, e isso exige comparar competências. Comparar é trabalho, não leitura.

É esse trabalho que o módulo Gestor Financeiro faz dentro do Portal do Cliente. Ele é treinado com a contabilidade da sua própria empresa e, a cada competência fechada, transforma balancete, DRE e balanço em três frases: quanto sobrou, se subiu ou caiu e qual conta puxou. Você pergunta em português — “o que o balancete de julho diz sobre a minha empresa?” — e a resposta vem com os seus números, não com média de mercado.

Ele não substitui o contador nem toma a decisão no seu lugar: a responsabilidade técnica e o planejamento seguem com a equipe da GRL Accountability, que revisa as análises do mês. O que muda é a frequência com que você entende o próprio resultado — de uma vez por ano, na conversa do Imposto de Renda, para todo mês.

Fontes: Sebrae — pesquisa sobre hábitos de uso de produtos financeiros pelos pequenos negócios (percentuais de 63%, 54% e 51%); Lei Complementar 123/2006; Lei 9.249/1995, art. 15; Código Civil, art. 50 (confusão patrimonial e desconsideração da personalidade jurídica). Os valores do gráfico são ilustrativos. Para a sua situação específica, fale com a GRL Accountability.

Quer o resultado do mês em três frases, sem planilha e sem jargão?

O módulo Gestor Financeiro traduz balancete, DRE e balanço em uma leitura direta do mês: quanto sobrou, se subiu ou caiu, e qual conta puxou.

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