Como simular o seu MEI como microempresa: o que colocar em cada campo e como ler o resultado
O simulador de impostos responde em um minuto à pergunta que este blog inteiro faz de várias formas: quanto o seu negócio pagaria como MEI, como microempresa no Simples Nacional e como pessoa física. O resultado, porém, é tão bom quanto o que você coloca nos campos, e dois deles, faturamento e folha, decidem sozinhos em que anexo a microempresa cai. Este guia explica o que informar em cada campo, como ler a alíquota que o simulador devolve e o que ele deliberadamente não calcula, com um exemplo completo para três atividades.

GRL Accountability- O simulador compara MEI, microempresa no Simples e pessoa física com os mesmos números.
- O campo que mais muda o resultado é a folha somada ao pró-labore: é ele que define o Fator R.
- Acima de 28%, o serviço sai do Anexo V para o Anexo III, e a alíquota da primeira faixa cai de 15,5% para 6%.
- A guia isolada não é o custo da estrutura: some o INSS do pró-labore e os honorários contábeis.
O que o simulador compara
Três cenários lado a lado, com a mesma atividade e o mesmo faturamento: o MEI, com o DAS fixo, quando o faturamento cabe no limite; a microempresa no Simples Nacional, com a alíquota efetiva do anexo da atividade, considerando o Fator R; e a pessoa física, com o carnê-leão e o INSS de contribuinte individual, para quem trabalha sem CNPJ. O cálculo roda com as tabelas do Simples versionadas no Portal do Cliente da GRL Accountability, as mesmas que a contabilidade usa, e por isso o resultado não é uma estimativa de blog: é a conta que seria feita na apuração.
O simulador cobre atividades de serviço, de salão de beleza a construção civil. Para comércio e indústria, use a comparação por faixa que fizemos em MEI, MEI com funcionário ou microempresa.
Campo a campo: o que informar
Qual é a sua atividade?
Escolha a que mais se parece com o que você faz. A atividade define o anexo de partida: salão, estética, elétrica, refrigeração, oficina e reparos entram como serviços com Fator R; construção civil, vigilância e limpeza vão para o Anexo IV, que tem regras próprias; advocacia também. "Outros serviços profissionais" cobre consultoria, design, tecnologia e afins. Se a sua atividade não está na lista, escolha a mais próxima em natureza e leia o resultado com essa ressalva.
Faturamento mensal médio
A média dos últimos doze meses, pelo valor cheio das vendas, e não pelo que caiu na conta. É esse número, multiplicado por doze, que define a faixa do Simples e que diz se o MEI ainda cabe. Se você está começando, use a projeção realista dos próximos meses. Sobre o que entra nessa conta, veja o que conta como faturamento do MEI.
Folha + pró-labore mensal
É o campo que mais muda o resultado. Some os salários com encargos dos empregados registrados e o pró-labore que você pretende retirar como microempresa. A razão entre esse valor e o faturamento é o Fator R: a partir de 28%, os serviços do Anexo V sobem para o Anexo III, e a alíquota da primeira faixa cai de 15,5% para 6%. Um MEI que vira microempresa e paga a si mesmo um pró-labore de R$ 2.000 num faturamento de R$ 7.000 tem Fator R de 28,6% e cai no Anexo III; com pró-labore de R$ 1.621, fica em 23% e cai no Anexo V. A diferença na guia é de mais de R$ 600 por mês. Explicamos o mecanismo em pró-labore e Fator R.
Repasse a profissionais parceiros
Aparece só para salão e estética. É o valor repassado aos profissionais-parceiros pela Lei do Salão-Parceiro, que sai da base de cálculo do salão. Se você trabalha sozinho, deixe zero.
Funcionários registrados
A quantidade de empregados. Serve para lembrar o limite de um empregado no MEI e para compor a folha. Se você pretende contratar ao virar microempresa, informe a situação futura e some o salário na folha.
Como ler o resultado
- ✓ Alíquota efetiva é o percentual real sobre o faturamento depois da parcela a deduzir da faixa. Na primeira faixa ela é igual à nominal; nas seguintes, é menor que a nominal e maior que a da faixa anterior. Compare sempre a efetiva, nunca a nominal.
- ✓ O valor da guia é o que sai por mês em cada cenário. No MEI é fixo; na microempresa, é a alíquota efetiva vezes o faturamento; na pessoa física, é imposto de renda mais INSS.
- ✓ Os avisos são parte do resultado. "Acima do teto do MEI" significa que o cenário MEI não existe para o seu número. "CPP fora do DAS" aparece no Anexo IV e avisa que o INSS patronal é pago à parte, o que faz a guia parecer menor do que o custo real.
- ✓ O cenário mais barato nem sempre é o certo. Se o MEI é o mais barato, mas o seu faturamento vai passar do teto em seis meses, o resultado de hoje é uma fotografia, não um plano. Veja vou passar do limite: saio do MEI agora ou espero dezembro?
Um exemplo com três atividades
Três negócios com R$ 8.000 de faturamento mensal, acima do teto do MEI, e o dono retirando R$ 2.500 de pró-labore, sem empregados. Fator R de 31%.
- ✓ Salão sem parceiros: Anexo III pela regra própria dos salões, 6% na primeira faixa, cerca de R$ 480 de guia. Com parceiros, o repasse sai da base e a guia cai.
- ✓ Consultoria (outros serviços profissionais): Fator R acima de 28%, Anexo III, também cerca de R$ 480. Com pró-labore de R$ 1.621, Fator R de 20%, Anexo V: cerca de R$ 1.240.
- ✓ Limpeza e conservação: Anexo IV, 4,5% na primeira faixa, cerca de R$ 360 de guia, mais o INSS patronal de 20% sobre a folha recolhido à parte, cerca de R$ 500 sobre o pró-labore. O custo total é maior do que a guia sugere.
Em todos os casos, some o INSS de 11% do pró-labore (R$ 275 sobre R$ 2.500) e os honorários contábeis para chegar ao custo da estrutura. É esse total, e não a guia isolada, que se compara com os R$ 86,05 do MEI que ficou para trás.
O que o simulador não calcula, de propósito
- ✓ Comércio e indústria (Anexos I e II). Use a comparação por faixa do artigo sobre estruturas.
- ✓ Reduções de alíquota da reforma para profissões regulamentadas e para saúde e educação, que dependem de análise caso a caso.
- ✓ Retenções na fonte feitas por clientes empresa, que mudam o fluxo de caixa mas não o imposto devido.
- ✓ O efeito da reforma tributária em 2027, que tem simulador próprio: o simulador da reforma mostra o que muda no seu segmento e a decisão do regime híbrido.
O resultado tem um botão para receber a análise completa. Ele manda os seus números para a GRL Accountability, que confere o anexo, o Fator R e o pró-labore e devolve o que o simulador não faz: um plano de quando e como mudar de estrutura, com o calendário do ano.
Fontes: Lei Complementar nº 123/2006, art. 18 (§§ 5º-B a 5º-M) e Anexos I a V; Lei nº 13.352/2016 (salão-parceiro); tabelas do Simples Nacional mantidas no Portal do Cliente da GRL Accountability. Os valores do exemplo usam alíquotas nominais da primeira faixa e o salário mínimo de 2026.
Simulou e quer a leitura de um contador?
Mande o resultado: a GRL Accountability confere o anexo, o Fator R e o pró-labore, e transforma a simulação num plano para o ano.